terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para estudo / www.ncbi.nlm.nih.gov/omim/mimstats.html
RECOMENDAÇÃO DE LEITURA - Mãe Natureza,(Uma visão feminina da evolução - Maternidade, filhos e seleção natural). Um livro de Sarah Blaffer Hrdy Um publicação que aborda as questões da maternidade baseada em leituras antropológicas, históricas, literatura, biológicas, genéticos, psicológicas e etológicas. Um excelente livro esclarecedor de diversas facetas da maternidade.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As Bactérias intestinais que provocam Ansiedade e Depressãoo

Pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá conseguiram demonstrar a influência das bactérias intestinais na química cerebral e, consequentemente, no comportamento. Já era conhecido o fato de que todos nós hospedamos no intestino bilhões de microrganismos - e convivemos em harmonia com a maioria deles, já que vários nos protegem de infecções e fornecem nutrientes para as células. Mas fazem bem mais que isso. No estudo publicado no periódico científico Gastroenterology, pesquisadores avaliaram o efeito da destruição da flora bacteriana intestinal de ratos adultos por meio da administração de antibióticos e observaram significativas mudanças no comportamento de animais adultos: os roedores ficaram mais ansiosos e menos cuidadosos. A transformação foi acompanhada por aumento do fator neurotrófico derivado do cérebro, associado à depressão e à ansiedade. Com a interrupção dos antibióticos obtinha-se o restabelecimento da flora intestinal e da química cerebral - e os ratos voltavam a apresentar comportamento normal. Em outro momento da investigação, os cientistas inocularam bactérias provenientes de um animal de temperamento enérgico no intestino de outro roedor de comportamento pouco ousado. Curiosamente, constataram que o rato "tranquilo" passava a se comportar de maneira mais ativa. Artigo retirado da revista Mente&Cérebro edição n225, ano XVIX de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Para Comer e para Curar

Perigosa combinação - O marco histórico para o estudo das interações entre alimentos e medicamentos aconteceu na década de 1960, quando pacientes deprimidos, tratados com antidepressivos inibidores da monoaminoxidade (MAO) ingeriram alguns tipos queijos, vinho tinto ou peixe e apresentaram crise hipertensiva grave, seguida de acidente vascular cerebral e morte. As investigações sobre o fato culminaram com a descoberta da incompatibilidade. Desde então tem crescido o interesse pelo tema. Em 1964, foi publicado o seguinte artigo de J. M. Cuthill, no periódico científico Lancet: “Em 3 de dezembro de 1963, um homem de 40 anos foi tratado para depressão com tranilcipromina. Um mês depois, ele se queixou de dor de cabeça leve mas jantou normalmente com sua família. Na ocasião ele consumiu bife, queijo cheddar e biscoitos. Durante a noite, sentiu-se mal, queixou-se de náusea, tontura e uma dor de cabeça insuportável. Pela manhã, porém já se sentia suficientemente bem a ponto de tomar o café com sua família e consumir dois ou três pedaços grandes de queijo. Após a refeição, ficou agitado, agressivo e confuso, seu nariz começou a sangrar e apresentou confusão mental. Levado ao hospital, continuava confuso, e sua temperatura era alta, seu pulso e pressão sanguínea estavam elevados. Ele morreu às 20:30 daquele dia. Na autópsia, seu cérebro estava aumentado e apresentava sintomas de congestão vascular intensa. Os médicos concluíram que a morte fora resultado da combinação do queijo e da tranilcipromina. Além do cheddar, outros exemplos de queijos maturados como o emental, o roquefort, o provolone, a mussarela e o parmesão apresentam elevado teor de tiramina – e consequente risco de interação com antidepressivos. Além dos laticínios, também são ricos em tiramina frutas como abacate, banana madura e figo maduro ou enlatado os laticínios, os peixes conservados em picles, salgados ou defumados, camarão, caviar, salame, carnes concentradas em molho, sopa industrializada, bem como fígado bovino ou de aves, principalmente se armazenados por longo tempo ou na forma de patês. Fava de feijão, suplementos protéicos, pimenta e molho de soja devem ser consumidos com moderação. Entre as bebidas, fica proibido o vermute, o vinho tinto e a cerveja. Além da restrição de alimentos ricos em tiramina, recomenda-se a redução da ingestão de estimulantes como guaraná, café, chocolate e chimarrão. Alguns cuidados especiais em relação à dieta devem ser adotados para pacientes tratados com sais de lítio, uma medicação bastante eficaz para transtorno bipolar. Produtos ricos em sódio e outros eletrólitos costumam aumentar a excreção da substância, reduzindo seu efeito – ao contrário, as dietas muito pobres em sódio reduzem a eliminação de lítio, aumentando o risco de intoxicação. A dieta, portanto, deve ser normossódica (com quantidades moderadas de sódio). O uso de drogas diuréticas ou chás com essa propriedade – como a carqueja, chapéu-de-couro, cavalinha, quebra-pedra a alcachofra – também costuma acelerar a eliminação de lítio e por isso devem ser evitados. Não é possível deixar de lado as evidências de que a alimentação, por si só, tem um papel importante na regulação do humor, pois muitos nutrientes são precursores de neurotransmissores ou fazem parte de sua produção. O tratamento da depressão, por exemplo, merece cuidados nutricionais não apenas porque há muitas interações entre os medicamentos e alimentos, mas também porque variações neuroquímicas dependem da nutrição adequada. A serotonina, um neurotransmissor responsável pela regulação de emoções e determinante na propensão à depressão (no caso da baixa concentração), necessita das vitaminas C, B6, B12, ácido fólico e zinco para sua síntese a partir do triptofano. Este aminoácido está no leite e em seus derivados, na aveia, nos produtos à base de soja, arroz, nos grãos integrais, na carne branca, nos ovos, no mel, na ameixa, na banana, no abacaxi, nas frutas secas, no amendoim, nas nozes, e na castanha entre outros alimentos. Alguns estudos indicam que dietas ricas em carboidratos aumentam a concentração de triptofano, o precursor da serotonina, no sistema nervoso central (SNC). Dietas ricas em proteína, ao contrário diminuem a captação desse aminoácido pela SNC. Isso se justifica porque proteínas contêm, além do triptofano, aminoácidos básicos como metionina e alanina, que competem com o triptofano pelo transporte ao SNC, realizado por transportadores “especializados” contidos na barreira hematoencefálica. Portanto, dietas equilibradas em que a proporção de carboidratos em relação a proteínas é maior podem aumentar a concentração de triptofano no SNC e, consequentemente, de serotonina, popularmente conhecida como a “substância da felicidade”, melhorando assim o humor e reduzindo o risco de depressão. Além disso, dietas ricas em carboidratos aumentam a liberação de insulina após as refeições, intensificando a captação de outros aminoácidos básicos para o tecido muscular e facilitando ainda mais a absorção de triptofano pelo SNC. A insulina liberada pelo aumento de glicose pós-prandial (após as refeições) também aumenta a captação desses aminoácidos básicos para o tecido muscular. Além do triptofano outros aminoácidos, como a tirosina, colina, histidina e taurina, obtidos por meio da dieta, são precursores de neurotransmissores. Minerais como manganês (presente no abacate e em leguminosas), cromo (encontrado em carnes, grãos integrais, germe de trigo, queijo, pimentão verde, espinafre e pimenta-do-reino etc.), cobalto (disponível no amendoim, sardinha, salmão etc.), iodo (no sal iodado, alho, cebola e alimentos origem marinha em geral) e selênio ( comum na castanha-do-pará, carnes e aves), assim como os ácidos graxos e ômega 3 (EPA e DHA) – encontram-se em óleos de peixe, abacate, linhaça e abóbora – também funcionam como importantes combustíveis cerebrais. Referência GOMEZ, R; VENTURINI, C. D. Mente & Cérebro. 218, Ed. Duetto. 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bioquímica do Bem

O texto abaixo é uma transcrição da Revista Mente&Cérebro n223, p.31

Bioquímica do bem
Os estados emocionais são acompanhados por mudanças nas "moléculas de emoção", os polipeptídeos. A cada alteração de humor, uma cachoeira de hormônios e neurotransmissores flui através do corpo, afetando todas as células. Robert Sapolsky, premiado neuroendocrinologista da Universidade Stadford, é um dos mais reconhecidos especialistas nesse tema. Ele explica que a característica definidora de um surto depressivo é a perda de prazer. "Se eu tivesse de definir depressão severa em apenas uma frase, diria que é um distúrbio genético/neuroquímico que requer um forte gatilho ambiental, cuja característica manifestada é a incapacidade de apreciar o pôr do sol", diz. Essa perda de prazer é oficialmente chamada de "anedonia", a incapacidade de sentir prazer.
O correlato fisiológico desse estado é um aumento na secreção de glucocorticóides, especialmente o cortisol, hormônio do estresse produzido pelas glândulas suprarrenais. O comando para a produção desta substância parte do eixo hipotálamo-pituitária, no cérebro. Quando o indivíduo se expõe a um agente estressor, o hipotálamo, por meio da glândula pituitária, mobiliza a secreção de cortisol das suprarrenais. Em uma pessoa saudável, quando o nível de cortisol sobe, o hipotálamo desacelera a estimulação das suprarrenais, fazendo com que os níveis de cortisol diminuam e o corpo alcance novamente uma situação de equilíbrio (homeostase). Mas se a pessoa está deprimida, esse circuito de retroalimentação não funciona adequadamente, e o hipotálamo continua a estimular a secreção de ainda mais cortisol. Aqueles que sofrem não apenas de estresse e depressão, mas também de ansiedade crônica, de transtorno e de outros distúrbios têm níveis de cortisol cronicamente elevados, a chamada hipercortisolemia: "Uma das anormalidades biológicas mais frequentemente encontrada em pacientes com depressão é a hipersecreção contínua de cortisol - uma reação de estresse generalizada, que escapou da contraregulação normal, como se estivesse "travada" no posição "ligada".
Esses processos bioquímicos anômalos resultam provavelmente de um estresse sistêmico, com constante aumento do nível de cortisol", afirma Sapolsky. Pesquisadores da College em Londres descobriram como a felicidade transforma nossa bioquímica. Pessoas felizes secretam cerca de 30% menos cortisol durante o dia - mesmo quando estão passando por algum estresse! "Essa pesquisa demonstra que a busca de um aumento da felicidade deveria ser uma preocupação dos órgãos de saúde pública", acredita a epidemiologista Jane Wardle, uma das autoras do estudo. Uma vez que a sensação de bem-estar subjetivo está diretamente relacionada com processos biológicos, os cientistas estão examinando os meios possíveis de mudar a nossa biologia e, assim, transformar nosso humor. O desafio agora é encontrar formas de regular esse excesso e reduzir a incidência de emoções negativas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A interpretação do Ciúme pela Psicologia Evolutiva

Psicólogos evolucionistas (que serão largamente representados por Buss e seu grupo) concebem o ciúme como uma reação a possível perda de uma relação. Acrescentam, porém, que esta reação é uma resposta adaptativa da espécie, tendo evoluído para solucionar um problema recorrente de sobrevivência ou reprodução (Buss, 2000, p.17): a ameaça real de traição .
Uma adaptação diz respeito a mecanismos de enfrentamento passados adiante por milênios porque funcionaram (Buss, 2000, p.17-18), no sentido de que contribuíram para que ancestrais humanos pudessem reproduzir e sobreviver ao longo da história filogenética (Buss, 2000).

Partindo de tal compreensão, os evolucionistas defendem que a presença do ciúme é necessária às relações, marcando a existência de compromisso entre os parceiros. Há problemas então quando o ciúme está ausente ou é excessivo; no último caso, porque tende a ser destrutivo à relação e, no primeiro, na medida em que a presença do ciúme é interpretada como sinal de amor, e sua ausência como falta de amor (Buss, 2000).

Dentre os benefícios que o ciúme pode trazer à relação pode ser citado que: ensina as pessoas a não menosprezar os parceiros, torna o relacionamento mais duradouro, indica o amor pelo parceiro, torna os relacionamentos mais excitantes, possibilita a avaliação do próprio relacionamento, faz o parceiro sentir-se mais desejável... (Pines & Aronson, 1983, p. 124). Provavelmente, devido a tais aspectos, o ciúme seja considerado útil para eliminar a ameaça de perda, conforme Buss (2000).

Buss (2000) distingue os efeitos positivos do ciúme entre homens e mulheres. De acordo com o autor, para o homem, o ciúme é útil uma vez que o protege contra os riscos de perder o tempo que investiu na corte de uma mulher, de dedicar-se aos filhos que não são seus e de danificar sua reputação. Para as mulheres, a utilidade do ciúme estaria relacionada ao fato de afastar a possibilidade de uma rival retirar a segurança emocional para com ela e filhos. Nas palavras de Fisher (1995), “O ciúme ajudou a restringir a prevaricação nas mulheres e o abandono por parte dos homens (p. 197).
Com base nessas diferenças, os teóricos evolucionistas acreditam que embora homens e mulheres apresentem ciúme, os motivos que produzem tal emoção são distintos - o homem é mais afetado pela ameaça de um envolvimento sexual, enquanto a mulher pela ameaça de um envolvimento emocional (Buss, 2000; Fisher, 1995). Porém, é importante ressaltar que as diferenças entre os sexos podem desaparecer quando a ameaça de infidelidade envolve uma relação homossexual, já que a reprodução torna-se impossível (Sagarin, Becker, Guadagno, Nicastle & Millevoi, 2003).
Embora defendam que ciúme traz benefícios à relação, os evolucionistas também identificam prejuízos que o ciúme acarreta, podendo ser divididos os efeitos negativos em três categorias principais: efeitos negativos sobre o indivíduo ciumento, efeitos negativos sobre o parceiro que é alvo do ciúme e efeitos negativos sobre a própria relação. Uma tabela é útil para explicitar tais efeitos.

A tabela torna evidente que o ciúme pode ser altamente prejudicial aos indivíduos e às relações, contrariamente ao que é defendido pelos próprios evolucionistas. E, fazendo uso do referencial comportamental, permite visualizar ainda que os efeitos sobre o indivíduo que sente ciúme estão relacionados a eventos privados, embora seja importante ressaltar que tais eventos tendem a fazer parte da contingência quando passam a controlar comportamentos públicos como forma de eliminar ou diminuir a ameaça de perda, o que será retomado adiante - e que, sobre aquele que é alvo do ciúme, os efeitos podem ocorrer tanto sobre eventos públicos quanto privados.
Em síntese, numa perspectiva evolucionista, o ciúme é uma emoção filogeneticamente determinada, tendo evoluído e se mantido porque foi e continua sendo uma estratégia útil para enfrentar ameaças à relação. Deste modo, ele sempre estará presente em relações que são valorizadas ou nas quais exista o amor verdadeiro (Buss, 2000), o que se mostra compatível com a concepção de nossa cultura que acredita que amor sem ciúme não é amor.

COSTA, Nazaré. Contribuições da psicologia evolutiva e da analíse do comportamento acerca do ciúme. Rev. bras.ter. comport. cogn., São Paulo, v. 7, n. 1, jun. 2005 . Disponível em . acessos em 08 jun. 2011.

terça-feira, 1 de março de 2011

Recomendação de leitura

Apenas como sugestão, foi publicado o livro: EVOLUÇÃO DO CÉREBRO, sob a perspectiva evolucionista - Paulo Dalgalarrondo - Ed. Artmed - 2011.
Excelente livro e com leitura gostosa.