segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma preocupação com a preocupação

No seu livro - Uma Questão de Equilíbrio - o autor Sérgio Klepack escreve na página 27: "O deputado norte-americano Charlie Wilson revela que, quando esteve no Afeganistão, viajou por regiões montanhosas para conhecer esse povo que, apesar de enfrentar precárias condições de higiene e de ter pobres hábitos alimentares, apresenta um dos maiores índices de expectativa de vida do planeta (em média, 95 anos). Segundo Wilson, há vilas onde os idosos riem, saudáveis e vigorosos, apresentando a mesma disposição e otimismo dos jovens. São pessoas que experimentam uma vida isenta de estresse psíquico em função de excelente rede de suporte social que provê sua comunidade. O povo hunza se divide em pequenas aldeias administradas por uma espécie de prefeito e líder político, cuja função é a de resolver os problemas da comunidade em geral e conciliar seus interesses. O curioso é que, mesmo entre os centenários habitantes, os prefeitos - que são possivelmente submetidos a situações de estresse - raramente ultrapassam a marca dos 60 anos!".
Este relato apenas reafirma a importância de nos atentarmos às preocupações na medida em que vivemos num mundo que nos impossibilita um distanciamento destas, contudo nossa plasticidade mental nos permite uma readaptação constante em nossa forma de pensar e consequentemente na maneira de sentirmos emocionalmente o que nos ocorre, agravando ou reduzindo os males advindo deste estresse. 
Para tanto, vamos reaprender a pensar na vida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Medo na Perspectiva Evolucionista

Ao se analisar o Medo na perspectiva evolucionista desconsiderou-se neste trabalho os medos aprendidos através de um processo de aprendizagem chamado condicionamento clássico de medo, ocorrendo quando estímulos aparentemente inofensivos são associados a estímulos aversivos, especialmente aqueles que deflagram dor. E também pode-se adquirir novos medos, ao longo da história pessoal, através de determinadas relações sociais que também envolvem aprendizagem do tipo associativa.

Na perspectiva evolucionista foi focado aqui apenas o medo inato, isto é, os que foram, através da evolução filogenética tidos como fonte de ameaça à sobrevivência da espécie. O fato dos ancestrais humanos terem sentido medo permitiu o desenvolvimento de mecanismos de defesa, garantindo a sobrevivência da espécie, e segundo Goleman (2007) é a emoção crucial para a sobrevivência. Este mecanismo tornou-se tão bem desenvolvido que hoje, frente a qualquer ameaça há um desencadear de reações bioquímicas cerebrais acionando todo um complexo sistema fisiológico de defesa que se traz desde o nascimento, uma capacidade instintiva. Mas, que ao mesmo tempo pode vir a ser a praga quando se faz interpretação equivocada sobre estes medos no nosso cotidiano, pois podem vir a causar angústias, preocupações excessivas, fobias, desordem obsessivo-compulsiva ou pânico conforme citado por Golemn (2007).

Talvez por isso fique mais fácil entender a observação de Winston (2006) quando este faz um agrupamento das formas de fobias, excluindo-se as raras, em quatro categorias presentes desde há milhares de anos, são elas: a) medo de animais como cobras, aranhas, etc.; b) medo de altura ou escuro; c) medo de sangue ou ferimentos e d) medo de situações perigosas. Corroborando com esta citação, Pinker (2007) coloca que poucas ou mesmo nenhuma fobia se deva a objetos neutros, mas há medo de serpentes mesmo quando jamais se tenha visto uma. Pinker (2007) coloca ainda que na infância, entre três e cinco anos, as crianças manifestam seus medos de objetos fóbicos clássicos como aranhas, escuridão, etc. os quais são ou não dominados e quando não podem vir a ser responsáveis pela maioria das fobias em adultos.

Para Pinker (2007) o medo é desencadeado quando a pessoa se depara com a possibilidade ou um fato concreto que sinaliza a possibilidade de um risco iminente à vida ou à integridade física ou emocional, tal como a presença de um agressor, de um abismo ou mesmo uma ameaça verbal. Este estímulo aciona o mecanismo de defesa inato levando à adoção de ações de curto prazo direcionadas a fuga, desvio ou de enfrentamento do perigo. Este mecanismo de ação de curto prazo é também conhecido como reação de luta-ou-fuga, o que não é de todo correto pois omite-se outras possibilidades de ação como o de “congelamento”, ou até mesmo reações de defesa de outros.

Há também o acionamento de mecanismos inatos acionados e que são de prazos mais longos com o objetivo de evitar a repetição destes enfrentamentos no futuro e também a memorização de como foi feito para se escapar. Pinker (2007, p.407) cita: “O medo é a emoção que motivava nossos ancestrais a lidar com os perigos que tendiam a encontrar... E o medo consiste em várias emoções.”

Oliveira (2007) observa que o ser humano tende a se atentar, memorizar e a considerar mais os fatos isolados relacionados a situações de perigo vividas pessoalmente ou presenciadas em pessoas próximas e queridas, como por exemplo, um ataque de um animal sobre si ou um outro membro do seu grupo do que quando é levado a fazer processos mentais ou imaginários sobre tais fatos. Segundo o mesmo autor, mesmo em se tratando de um fato isolado ou pouco frequente já seria suficiente para disparar todo um mecanismo de evitação que estaria vinculado a um módulo específico de detecção de perigo que por sua vez manteria interface com memória e ação.

É importante ressaltar que os medos mudam com a experiência e vivências de cada indivíduo. Além disso, não se pode esquecer que também não se pode vir a inserir medo com facilidade de qualquer coisa ou deixar de ter medo com facilidade de tudo, pois há limites para o que o cérebro é capaz de aprender a temer com facilidade e esta facilidade é dada se o objeto de medo estiver presente enquanto tal no processo evolutivo da espécie. Esta visão de Pinker (2007) é também compartilhada por Ridley (2008, p.243) ao colocar que: “...o aprendizado está ligado somente a uma gama estreita de alvos, sem os quais não acontecerá.”.

Pinker (2007) cita que se pode com certa facilidade condicionar uma criança a ter medo de ratos, animal que aliás ela normalmente já tem medo, mas quando se substitui este rato por um binóculos, por exemplo, esta criança não aprenderá a ter medo mesmo em se mantendo o mesmo processo de condicionamento em função do cérebro humano ser resultante de uma seleção genética que o pré-equipou para aprender a ter medo daquilo que efetivamente era relevante no passado, segundo Ridley (2008, p.246): “...os genes são partes de um sistema de informação que coleta informações sobre o mundo no passado e os incorpora em um bom projeto para o futuro através da seleção natural.”. Não que não se irá aprender a ter medo de coisas novas, mas sim que se tem uma facilidade em se ter medo mais forte daquilo que tem-se feito como ameaçador por milhares de anos.


REFERÊNCIAS
GOLEMAN, D.; Inteligência Emocional. 10a ed. Rio de Janeiro: Editora Objetiva LTDA, 2007. 383 p.
PINKER, S.. Como a Mente Funciona. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 666 p.
WINSTON, R.. Instinto Humano – como os nossos impulsos primitivos moldaram o que somos hoje. São Paulo: Globo, 2006. 431 p.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Inteligência

"Todos  esses estudos concluíram que a inteligência é hereditária e, quanto mais as pessoas partilharem o mesmo patrimônio genético, mais sua inteligência será semelhante. No entanto, um erro muito comum quando se enuncia essa conclusão é compreender que a inteligência é apenas hereditária. Esse não é o caso, pois as condições de desenvolvimento e de educação também têm papel primordial."
Psicologia - experimentos essenciais.  Ed. Duetto, 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O que é Psicologia Evolucionista

http://www.youtube.com/watch?v=NpJn92IURLk

Aprendizagem

Depois de incensada pelas antigas práticas pedagógicas, a aprendizagem pela repetição é considerada pelas correntes mais modernas uma forma pouco inteligente de educar. Entretanto, a repetição é o mecanismo de base do cérebro. Como a memória se fundamenta, em última instância, na conexão entre os neurônios, a repetição é o sistema que garante o número e a força dessas ligações.
Psicologia - Experimentos essenciais. 2010. Ed Duetto