VIOLÊNCIA, um
olhar.
A ONG Oxfan, uma
organização Britânica, usando dados do Credit Suisse, publicou recentemente os
seguintes dados:
1. Em 2008, 1% das
pessoas mais ricas detinham cerca de 44% da riqueza de todo o mundo;
2. Em 2014, 1% das
pessoas mais ricas detinham cerca de 48% da riqueza de todo o mundo;
3. Em 2016, 1% das
pessoas mais ricas detinham pouco mais de 50% da riqueza de todo o mundo;
4. Em 2010 um grupo
de 388 pessoas detinham 50% da toda a riqueza desta camada dos mais ricos;
5. Em 2016 um grupo
de 80 pessoas detêm os mesmos 50% da riqueza desta camada dos mais ricos;
6. Em 2014 80% da
população do mundo retinha apenas 5,5 % da riqueza mundial e este percentual
tem caído sistematicamente nas últimas duas décadas.
Estudos da ONU
sobre violência indicam que até 1 bilhão de crianças foram vítimas de violência
física, sexual ou psicológica em 2015. Uma em cada quatro crianças sofre maus
tratos físicos e quase um quinto de todas as meninas já sofreu abuso sexual
pelo menos uma vez em sua vida.
Falar sobre
violência é algo bem complexo, normalmente ouve-se que esta é fruto de
condições sociais, da educação, da formação familiar, de ordem pública, etc.,
etc., etc. Mas este tema vai muito, mas muito mais além, engloba não apenas este ou aquele fator desencadeante, mas um somatório de todos eles, e mais
ainda, tais como a genética, os fatores econômicos, o instinto humano de um
animal competitivo, agressivo, social e hierárquico. Fatores como política,
cidadania e civilidade também complementam tais bases para um entendimento
melhor. Assim não seria possível, aqui, num desabafo ou num momento de reflexão
simples, buscar esgotar tal tema.
Mas, de qualquer
forma, pode-se compreender que este quadro acima gera, sem dúvida, o que se
pode chamar de “sofrimento social” ou “desestruturação social”. Em seu livro Os
Anjos Bons da Nossa Natureza, Steven Pinker faz um excelente e sério estudo
demonstrando como a violência física vem sistematicamente diminuíndo no mundo
ano após ano. Sim, é um fato. Contudo, nossa percepção e nossa intolerância
frente à violência têm aumentado, também sistematicamente. E, quando se
considera como violência não apenas a física, mas também a psicológica, aquela
que humilha, degrada, reduz, segrega pessoas, uma das outras, notamos que esta
violência tem aumentado.
Não somos e nunca
seremos seres que terão um mundo em paz ou que se tornará possível criação de
um mundo onde se vive em “comunas”. Não somos seres possíveis de se viver em
mundos também igualitários, como disse, somos animais competitivos e
hierárquicos. Mas daí a entender que possamos viver com um mínimo de civilidade
sem aceitação de diferenças e de competências entre as pessoas, a viver numa
sociedade onde uma pessoa possa vir a ter renda mil, cem mil, um milhão de
vezes acima da de outra, é no mínimo ingênuo.
Tal gritante
diferença de renda gera neste animal humano, seus piores instintos de violência
fazendo buscar, mesmo que de forma inconsciente, um retorno a um patamar de
equilíbrio entre os diferentes.
Vivemos um paradoxo
existencial, se pensarmos que nos últimos cem anos o mundo deu um salto em
tecnologia e “modernidade”, se tornando um “mundo gasoso” rápido e instável,
inventado para nos trazer paz, mas acabando por criar um quadro que amedrontra,
gerando ansiedades, angústias.
Este quadro acabou
por criar necessidades de resgates de um passado já não mais existente, passado
este que remete a um tempo no qual prevalecia o instinto primitivo, com
controles fortes e violentos, com estabilidade imposta, com a mesmice, com o
poder do mais forte, com as submissões ao poder, com uma relação simplista
feita pelo mandar e o obedecer, mundo onde o diferente, o estranho ou
estrangeiro era repudiado e muitas e muitas vezes morto, onde a mulher era
objeto de posse, de manipulação de desejos.
E este resgate
deste instinto primitivo ao se buscar o equilíbrio perdido, tem trazido junto o
retorno a agressões às mulheres, violência contra crianças, a morte aos
diferentes, morte aos de outra cor, morte aos de outras crenças ou mesmo aos de
não crença alguma. Um retorno à barbárie.
E talvez não
consigamos frear este movimento se não nos atentarmos e revermos políticas que
permitem constante e alucinantes movimentos concentradores de renda, que a
cada distanciamento entre o mais rico e o mais pobre, mas despertará
naturalmente o aumento da violência. Teremos sim, insisto, diferenças grandes
entre capacidades, habilidades, potencialidades de cada um, mas esta diferença
precisa ter um limite, pois há já a limitação na medida em que entre estes não
há diferente espécie de animal. Somos todos primatas Homo sapiens sapiens.