segunda-feira, 18 de julho de 2016

VIOLÊNCIA, um olhar.


A ONG Oxfan, uma organização Britânica, usando dados do Credit Suisse, publicou recentemente os seguintes dados:
1. Em 2008, 1% das pessoas mais ricas detinham cerca de 44% da riqueza de todo o mundo;
2. Em 2014, 1% das pessoas mais ricas detinham cerca de 48% da riqueza de todo o mundo;
3. Em 2016, 1% das pessoas mais ricas detinham pouco mais de 50% da riqueza de todo o mundo;
4. Em 2010 um grupo de 388 pessoas detinham 50% da toda a riqueza desta camada dos mais ricos;
5. Em 2016 um grupo de 80 pessoas detêm os mesmos 50% da riqueza desta camada dos mais ricos;
6. Em 2014 80% da população do mundo retinha apenas 5,5 % da riqueza mundial e este percentual tem caído sistematicamente nas últimas duas décadas.
Estudos da ONU sobre violência indicam que até 1 bilhão de crianças foram vítimas de violência física, sexual ou psicológica em 2015. Uma em cada quatro crianças sofre maus tratos físicos e quase um quinto de todas as meninas já sofreu abuso sexual pelo menos uma vez em sua vida.
Falar sobre violência é algo bem complexo, normalmente ouve-se que esta é fruto de condições sociais, da educação, da formação familiar, de ordem pública, etc., etc., etc. Mas este tema vai muito, mas muito mais além, engloba não apenas este ou aquele fator desencadeante, mas um somatório de todos eles, e mais ainda, tais como a genética, os fatores econômicos, o instinto humano de um animal competitivo, agressivo, social e hierárquico. Fatores como política, cidadania e civilidade também complementam tais bases para um entendimento melhor. Assim não seria possível, aqui, num desabafo ou num momento de reflexão simples, buscar esgotar tal tema.
Mas, de qualquer forma, pode-se compreender que este quadro acima gera, sem dúvida, o que se pode chamar de “sofrimento social” ou “desestruturação social”. Em seu livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza, Steven Pinker faz um excelente e sério estudo demonstrando como a violência física vem sistematicamente diminuíndo no mundo ano após ano. Sim, é um fato. Contudo, nossa percepção e nossa intolerância frente à violência têm aumentado, também sistematicamente. E, quando se considera como violência não apenas a física, mas também a psicológica, aquela que humilha, degrada, reduz, segrega pessoas, uma das outras, notamos que esta violência tem aumentado.
Não somos e nunca seremos seres que terão um mundo em paz ou que se tornará possível criação de um mundo onde se vive em “comunas”. Não somos seres possíveis de se viver em mundos também igualitários, como disse, somos animais competitivos e hierárquicos. Mas daí a entender que possamos viver com um mínimo de civilidade sem aceitação de diferenças e de competências entre as pessoas, a viver numa sociedade onde uma pessoa possa vir a ter renda mil, cem mil, um milhão de vezes acima da de outra, é no mínimo ingênuo.
Tal gritante diferença de renda gera neste animal humano, seus piores instintos de violência fazendo buscar, mesmo que de forma inconsciente, um retorno a um patamar de equilíbrio entre os diferentes.
Vivemos um paradoxo existencial, se pensarmos que nos últimos cem anos o mundo deu um salto em tecnologia e “modernidade”, se tornando um “mundo gasoso” rápido e instável, inventado para nos trazer paz, mas acabando por criar um quadro que amedrontra, gerando ansiedades, angústias.
Este quadro acabou por criar necessidades de resgates de um passado já não mais existente, passado este que remete a um tempo no qual prevalecia o instinto primitivo, com controles fortes e violentos, com estabilidade imposta, com a mesmice, com o poder do mais forte, com as submissões ao poder, com uma relação simplista feita pelo mandar e o obedecer, mundo onde o diferente, o estranho ou estrangeiro era repudiado e muitas e muitas vezes morto, onde a mulher era objeto de posse, de manipulação de desejos.
E este resgate deste instinto primitivo ao se buscar o equilíbrio perdido, tem trazido junto o retorno a agressões às mulheres, violência contra crianças, a morte aos diferentes, morte aos de outra cor, morte aos de outras crenças ou mesmo aos de não crença alguma. Um retorno à barbárie.
E talvez não consigamos frear este movimento se não nos atentarmos e revermos políticas que permitem constante e alucinantes movimentos concentradores de renda, que a cada distanciamento entre o mais rico e o mais pobre, mas despertará naturalmente o aumento da violência. Teremos sim, insisto, diferenças grandes entre capacidades, habilidades, potencialidades de cada um, mas esta diferença precisa ter um limite, pois há já a limitação na medida em que entre estes não há diferente espécie de animal. Somos todos primatas Homo sapiens sapiens.


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