sexta-feira, 8 de julho de 2016

TOLERÂNCIA OU INTOLERÂNCIA? EIS A QUESTÃO

Tolerância é um termo originário do latim que significa “suportar” ou “aceitar”. Tolerância é pilar imprescindível quando se quer viver bem em sociedade ou se viver em sociedade de bem.
Voltaire já no século XVIII publicou várias obras em defesa da Tolerância, mas talvez ainda hoje precisemos ler muito mais sobre isso. Voltaire afirmava que: “Sem a tolerância, o mundo continuará desordenado e que o melhor meio para diminuir o número de maníacos, se ainda restam, é de confiar esta doença do espírito ao regime da razão, que lenta, mas infalível ilumina os homens”.
Talvez, sempre tenhamos vivido em sociedades intolerantes, afinal somos animais humanos e trazemos conosco a intolerância enraizada. Mas trazemos igualmente a capacidade e possibilidade de pensarmos de forma mais elaborada mesmo que esta se faça em confronto com nossos instintos.
Tolerância não é um simples aceite das coisas e fatos como estes se apresentam, mas sim um ato de respeito acima de tudo; um ato que exige reflexão, racionalidade. E como tal, não se pode esperar que isto apenas “brote”, como passe de mágica nas pessoas, não se dá assim. Como qualquer reflexão ou racionalidade, ela exige que venha a ser ensinada desde tenra idade, nas mínimas e ínfimas atitudes, falas e comportamentos de cada criança a ser formada. E neste ponto que talvez ela se faça inatingível. A tolerância traz em si o vírus da destruição de uma sociedade individualista, sociedade esta fincada e fortemente enraizada nos dias atuais.
Chegamos a viver sentimentos confusos e mais, cômicos, se não fossem trágicos. Há falas de desaprovações, de repúdios fortes quando se assistem atentados na França, nos EUA, na Turquia, coerentes e dignas falas de repúdio e revolta por isso, com certeza. Ataques covardes. Toda uma mídia internacional divulgou estes ataques, medidas severas foram ainda mais implantadas. Ondas ainda maiores de islamofobia cresceram em quase todo o mundo, compreensível. Mas o que dizer quando, ao se analisar os fatos, a realidade, constata-se que este nomeado Estado Islâmico mata muito, muito mais muçulmanos que qualquer outro ou outros grupos religiosos juntos? Como justificar esta onda “islamofóbica?”. Bom, isso não importa afinal eles não pertencem ao nosso “bando”, não da manchete na mídia.
Tolerância necessária para se construir um mundo mais digno não passa por tolerarmos apenas os iguais em cor, raça, religião ou falta dela, local de nascimento, preferências sexuais, etc., passa por tolerar ou outro ser humano como um todo, respeitando suas diferenças.
Em pleno século XXI, insistimos em viver o conceito de tolerância que existiu até o ano de 1572, quando tolerância era sinônimo de fraqueza, subserviência, inferioridade, tendo sido mudado este conceito e valor após o massacre de protestantes pela igreja católica naquele ano de 1572.
Por mais quanto tempo, por mais quantos massacres continuados teremos que compartilhar, assistir, viver para que possamos vir a entender a necessidade de mudança neste conceito de tolerância? Me parece que a cada dia, a possibilidade de se viver em sociedade habitada por pessoas tolerantes se faz mais distante pois adentramos a largos passos em uma sociedade cada vez mais habitada por pessoas individualistas, egocentradas. Robôs biológicos talvez, cada um vivendo para si, sem conceitos humanitários.
Nesta abrangência de um viver o individualismo como modelo não nos demos conta de que isso interfere não apenas na tolerância para com o diferente distante, mas cada dia mais isso também se faz em intolerância para com o diferente próximo e cada dia mais e mais próximo, na medida em que se sou individualista todos se tornam um ser diferente de mim e assim um ser a ser intolerado, independentemente se este outro ser é um colega de trabalho, esposa, marido, filho, pais, educadores, etc.
Nos resta um rápido processo de reeducar nossos filhos para tentarmos barrar este caminho enquanto há resquícios de tempo ainda para isso.


Nenhum comentário:

Postar um comentário