Todos já passaram por isso. De repente, no meio da sala a pessoa pergunta:" O que vim fazer aqui?". É comum acontecer esta espécie de "buraco negro" da memória, também chamado de "branco". Quando vai até o quarto buscar um livro, o telefone toca ou algo o distrai, em um segundo a pessoa esquece o que estava fazendo. Isso não é preocupante nem um sinal precoce de mal de Alzheimer, é um mecanismo básico do funcionamento da memória.
O fenômeno do buraco negro se deve ao fato de que a memória funciona de acordo com dois grandes sistemas: a memória de curta duração, que integra informações variadas, porém durante pouco tempo (10 a 20 segundos), e o sistema das memórias especializadas, da icônica à semântica, que pode ser considerada como uma grande biblioteca, chamada memória de longa duração. Em uma analogia, a memória de longa duração é o disco rígido, enquanto a de curta duração é a RAM.
A memória de curta duração tem duas propriedades absolutamente determinantes em todas as atividades mentais: ela funciona por um tempo reduzido (cerca de 20 segundos) e tem uma capacidade limitada. Dessa forma, no adulto jovem, a lembrança imediata de uma lista de 15 palavras diferentes (barco, alemão, abelha, etc.) é de aproximadamente sete palavras.
Entretanto, 20 segundos depois a pessoa já esquece metade das palavras e a lembrança passa para apenas três, gerando a impressão de "buraco negro".
Em uma experiência, faz-se um ditado de 15 palavras conhecidas, mas sem relação entre si (barco, abelha, limão, eclusa, pombo, etc.). A lembrança imediata da lista é de cerca seis ou sete palavras. Porém, se os participantes forem distraídos durante 20 a 30 segundos, a capacidade de recordação, já não mais imediata, cairá pela metade (três ou quatro palavras). Os termos esquecidos geralmente são os do fim da lista, porque estavam somente na memória de curta duração.
Cópia do artigo publicado na revista: Especial Psicologia - Experimentos Essenciais Ed. Duetto, p.42
Interessante.
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